quarta-feira, agosto 11, 2004

SONETO DE LUZ E TREVA

Ela tem uma graça de pantera
No andar bem comportado de menina.
No molejo em que vem sempre se espera
Que de repente ela lhe salte em cima.

Mas súbito renega a bela e a fera
Prende o cabelo, vai para a cozinha
E de um ovo estrelado na panela
Ela com clara e gema faz o dia.

Ela é de capricórnio, eu sou de libra
Eu sou o Oxalá velho, ela é Inhansã
A mim me enerva o ardor com que ela vibra

E que a motiva desde de manhã.
- Como é que pode, digo-me com espanto
A luz e a treva se quererem tanto...


Vinícius de Moraes
(1971)

4 comentários:

Rosa disse...

Caso não conheça...
Um beijo
Rosa Leonor
MAIS UM POEMA DE PANTERA!

A PANTERA
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
RAINER MARIA RILKE

Zoe de Camaris disse...

Oi Rosa,

Poema belíssimo, aliás. Achei que já tinha postado aqui a tradução do Ivan, ao meu ver, mil vezes mais melhor que a do Augusto de Campos e quentinha, recém saida do forno poético.

Bem, aí está.

Ivan, eu achei que já tinha postado ! Pantera tonta de tantas voltas.

besos,
Zoe

Ivan disse...

Concedo-lhe a suprema graça do perdão, zoe... Dessa vez, passa: o elogio rasgado apaziguou minha ira...
*sai rosnando, com meio sorriso na mandíbula*

Babi ") disse...

Adoreii... sou uma grande fã de poesia realmente amei seu blog!!!