sábado, julho 09, 2005

Uma Paixão no Deserto


Bouguereau / Bacchante sur une panthère


Quando os raios do sol penetraram na caverna da mente deserta, pôs-se a lamber, bonita e coquete, o sangue das patas e do focinho; ao bocejar exibia sua terrível máquina dental e uma língua estupenda, rosa e lixa macia. Em ondulações de intensidade variável, um perfume denso acompanhava os movimentos do seu corpo e o RR enciumados: ruu...rruu Como uma mulher formosa, passava as mãos pelos pêlos da fera, dos cabelos à cauda nervosa de músculos sensíveis; arranhava devagar a nuca e os flancos sedosos e quentes; ela recolhia as garras nos estojos das patas feitos de veludo vivo, num ronronar de prazer: rru...rru... Artimanhosamente, entremostrava, exibia os seus indefiníveis encantos. O deserto passou a ficar como que povoado, passou a revelar-lhe todas as suas belezas sublimes - e a solidão, todos os seus segredos.

Décio Pignatari
baseado no conto "Une Passion dans le désert",
de Balzac

4 comentários:

Pan disse...

Olá...
Cheguei aqui através do "Erros de Semântica" e estou encantada...
Parabéns, aqui é tudo muito lindo e tem um clima de sedução, fascínio...Tive muita identidade com esse espaço...Voltarei...
Abraço forte,
Pan

Anônimo disse...

achei interessante esse filme
http://www.imdb.com/title/tt0083722/
nao sei se vc achará, mas tente aluga-lo

Anônimo disse...

E nós que ainda estamos nascendo
Derramando fúria verbal em noites embriagadas
Povoando universos incompreendidos...
...A bailarina não quis o suor do louco
Então ele chora, chora
E a manhã chora
Escandalosa...

Zoe de Camaris disse...

a bailarina não quis o suor do louco? tem certeza? ou foi o louco que não soube dançar?