segunda-feira, agosto 29, 2005

Meditaçao de Agrigento

















Quem nos domara a força vã,
quem nos sufocara o instinto
Para permanecermos
Em conformidade à linha do céu,
A estas colunas perenes,
Ao oculto mar lá embaixo.
Quem nos transformara em folha
Ou no súbito lagarto
Que se esgueira sob tuas pedras,
Templo F, sereno templo F,
Arquitetura de reserva e paz.

Transformar-se ou não, eis o problema.
Durar na zona limite da memória,
Nos limbos da vontade,
Ou submeter a pedra, cumprir o ofício rude,
Aprender do lavrador e do soldado.

Qual a forma do poeta? Qual seu rito?
Qual sua arquitetura?

Mudo, entre capitéis e cactos
Subsiste o oráculo.
A manhã doura a pedra e vagos nomes,
Agrigento me contempla, e vou-me.


Murilo Mendes
Siciliana (1959)

2 comentários:

Anônimo disse...

Muy lindo el poema. La photo es de Agrigento?

Ciao
peresio@hotmail.com

Coletivo Paradoxo disse...

Procurava por esse poema
e acabei entrando no seu blog.
Agradecido desde já pela sua ajuda.

Participo de um blog também,
que se chama POENOCINE.
Te convido para conhecê-lo
(http://poenocine.blogspot.com/)
e, se gostar,
deixar um comentário lá também.

Já estudamos o Murilo Mendes
(http://poenocine.blogspot.com/2009/12/memoria-do-poenocine-murilo-mendes.html).

Parabéns pelo blog!

Aquele abraço,
Paulo.