sábado, abril 01, 2006


Hino à Afrodite


Afrodite imortal de faiscante trono
Filha de Zeus tecelã de enganos, peço-te:
A mim nem mágoa nem náusea domine,
senhora do ânimo.

Mas aqui vem-se já uma vez
A minha voz ouvindo-a de longe
Escutaste e do pai deixando a casa áurea vieste
Atrelado o carro. Belos te levavam
Ágeis pássaros acima da terra negra
Contínuas asas vibrando vindos do céu
através do ar.

E logo chegaram. Tu ó venturosa
Sorrindo no rosto imortal indagas
O que de novo sofri, a que de novo te evoco,
O que mais desejo de ânimo louco
que aconteça. Quem de novo convencerei
“a acolher” teu amor? Quem Safo
te faz sofrer?

“Se bem agora fuja, logo te perseguirá,
“se bem teus dons recuse, virá te dar,
“se bem não ame, logo amará – ainda que
“ela não queira”

Vem junto a mim ainda agora, desfaz
O áspero pensar, perfaz quanto meu ânimo
Anseia ver perfeito. E tu mesma – sê
minha aliada.


Safo
p.s.: o original em grego e diversas traduções para o inglês podem ser vistas clicando aqui. Se alguém conhecer alguma outra versão para o português, ou ainda, a autoria da tradução acima, agradeço incontinenti o envio.

3 comentários:

Leonardo disse...

A tradução é de Jaa Torrano, professor de Grego aqui da USP.

Atis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thaís disse...

Pena ser tão difícil achar qualquer informação relacionada a Safo.
São fragmentos e textos tão belos ... Que o que foi destruído só pode ser mensurado pelo inestimável.

Obrigado por esse post.