quinta-feira, outubro 26, 2006

DA PRÓXIMA VEZ, BATA À CAMPAINHA




AS JANELAS SE ABRIAM


as janelas se abriam sobre uma erva de sonho
confundidas entre os cursos da água
no calor dos tijolos selvagens
encharcavam no vinho
os espessos triunfos de poentes partidos
em breve a dor já não estará viva
e o último luar ceifará e sua emoção
e a dura amizade que uma mola em tensão
ligava à sua sombra – eu era apenas sua sombra -


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LES FÊNETRES SE OUVRAIENT


les fênetres s’ouvraient sur une herbe de rêve
enchevêtrées parmi les courses de l’eau
au feu des briques sauvages
trempaient dans le vin
les épais triomphes des couchants morcelés
bientôt la douleur ne sera plus vivante
et la dérnière lueur fauchera et son trouble
et la dure amitié qu’un ressort tendu
liait à son ombre – je n´était que son ombre -


Tristan Tzara

2 comentários:

Anônimo disse...

um poema que não se entende
é digno de nota

.................
p.a

josé (porto) disse...

As Janelas se Abriam

As janelas se abriam sobre um verde de sonho encavalitadas por entre os cursos de água /
na lareira de tijolos / selvagens /
ensopavam-se no vinho
os espessos triunfos dos poentes macerados /
em breve a dor já não estará viva
e o último clarão fenecerá / e sua inquietação
e a dura amizade que um vínculo tenso
ligava à sua sombra / – eu não era mais que a sua sombra -

(uma casa situada num ponto mais elevado, dando sobre um verde sulcado de água; encavalitada a casa, e suas janelas)
(uma lareira acesa; um vinho guardando em sua cor o sol, e as recordações)
(selvagens: os tijolos? ou os poentes? talvez os dois)
(sua inquietação: de quem? do autor? de alguém que não chega a ser nomeado?)

(desculpem o rascunho ginasial, é mero apontamento para tentar deslindar o 'causo' em voz alta...)