segunda-feira, novembro 13, 2006

Psiu


o que então me era mais caro
é só leda sinapse, bioquímica,
abandono já na garganta
todo engodo de veia lírica

memória sem voz e sem rosto
mania que atropela a trilha
aquele beijo no pescoço
paranóia ou adrenalina?

estava tudo impresso no verso
máquina-de-lavar cerebral
era uma enzima pé-ante-périplo
rondando a célula infinitesimal

um arroubo, uma bomba de hidras,
um carro à gás, um oásis sem ilhas,
um lero-lero de enzimas
quilhas & milhas do centro do coração.


Monica Berger
(do dia de hoje que já vai longe)


4 comentários:

Jana disse...

lindo, baby. saudades da mulher-poesia. beijo.

Andressa disse...

apareci aqui por acaso. quando procurava uns poemas de Sylvia Plath.
gostei. e espero que não se importe se eu aparecer vez em quando.

Andressa disse...

ora, blog é pra essas coisas mesmo, né?!

Ivan disse...

Lindo poema, mesmo que tenha fugido da métrica constrictora do soneto:

Zoe - querias escrever um soneto e fizeste versos imortais, assinando Monica Berger:

uma verdadeira mulher-poesia, nas palavras certeiras da flechicerteira Janaína...